5 deslizes que devem ser evitados para garantir o sucesso da sua reforma

Diego Revollo Arquitetura
Diego Revollo Arquitetura

Mar 2, 2023 | 6 min de leitura

5 deslizes que devem ser evitados para garantir o sucesso da sua reforma

Em 15 anos de escritório, tenho a certeza de que não existe uma fórmula ou manual de regras rígidas para projetar. Só em nosso site são quase 50 projetos concluídos e fotografados. Passando os olhos rapidamente por cada um, o que mais me chama atenção é a autenticidade, ou seja, não somos adeptos do famoso “samba de uma nota só”. Cada projeto é único e costumamos até nos denominar como um escritório boutique já que somos compactos e fazemos um trabalho extremamente personalizado. 

Costumo dizer que o projeto nasce junto com o cliente, como um filho de um mesmo pai, mas que tem seu próprio DNA. À medida que vão sendo desenvolvidos, ganham personalidade e traços próprios: estes que são respeitados e valorizados durante todo o processo. Por essa razão, por me deparar com tamanha diversidade entre os meus, sei que muitas regras podem ser quebradas e que praticamente quase tudo é permitido no universo da decoração desde que exista uma unidade, uma intenção clara, ou mesmo coerência.

Dessa forma, preferi dessa vez abordar aquilo que devemos a todo custo evitar. Alguns podem parecer óbvios, mas outros, mais sutis, serão percebidos somente por aqueles que trabalham na área e que estão com o olhar mais treinado.

1- Excesso de Materiais 

O assoalho em madeira cumaru maciça percorre toda área social e íntima e que reveste as paredes principais do Living, Home, Hall Social e Lavabo, cria uma identidade única e marcante

Uma das razões para alguns trabalhos seguirem atuais ao longo dos anos é o caráter quase que minimalista no que se refere aos materiais que colocamos dentro da nossa casa. Quase todos os materiais são permitidos e é saudável a experimentação de tudo que é novo. O grande erro talvez esteja em se perder no meio de tantas possibilidades e exagerar na variedade e combinações, principalmente de acabamentos. Em relação a esse último, costumo restringir o leque dentro de um mesmo projeto. É saudável criar um padrão que aparece e se repete em vários ambientes da casa. Essa repetição cria pausas de informação que além de dar tranquilidade, permitem que outros pontos importantes se sobressaiam no todo, como o próprio mobiliário, objetos, e até mesmo peças de arte. Não é à toa que as principais galerias são brancas ou quase sempre minimalistas.

2- Falta de personalidade 

O pedido inusitado, uma mesa de sinuca na sala, foi o diferencial e o que garantiu personalidade única a este apartamento com forte identidade masculina

Se os excessos na estrutura ou nos acabamentos podem ser desastrosos e, portanto desaconselháveis, a falta de ousadia, de certos exageros e até mesmo de coragem para correr riscos, comprometem e deixam qualquer decoração previsível, monótona e insossa.  Aqui no escritório costumo valorizar todo pedido peculiar que parte do cliente como também gostos e hábitos que lhes são únicos. Vejo sempre nessa situação a oportunidade de “acelerar” em alguma ideia e sair da zona de conforto para tentar algo realmente único. A vantagem nessas horas é ter o cliente como aliado, já que a ideia partiu dele e nós apenas injetamos mais ânimo e combustível. Como o processo de construir ou reformar uma casa é longo e as escolhas são bastante numerosas, a grande maioria tenta, para não errar, se manter nas decisões mais seguras e contidas. No entanto, na hora de decorar, por favor, deixem alguns medos de lado e tentem experimentar objetos maiores, cores ousadas ou mesmo quadros menos óbvios. Os riscos, nessas horas, sempre valem a pena e são a garantia de uma casa autêntica.

3- Móveis pequenos 

Um dos truques de muitos profissionais é usar móveis grandes, muitas vezes não exatamente proporcionais ao espaço que ele está inserido. Costumo dizer que não é porque a sua sala é pequena que os móveis devem ser todos pequenos. Normalmente espaços menores se veem maiores e mais agradáveis quando preenchidos com peças grandes. O volume desses, muitas vezes, engana os olhos, e nos dão a sensação de espaços até maiores que a realidade. Aprendi essa regra ao projetar o primeiro loft aqui no escritório. Ao invés de propor pequenos ambientes com peças diminutas, apostei na fusão do tampo da cozinha com a mesa para criar uma área de refeições com proporções de encher os olhos. Em vez de uma mesa de jantar redonda com um metro de diâmetro, conseguimos inserir um tampo com quase 3m de comprimento em um loft de metragem reduzida. Uma vez ao abrir um dormitório para a sala e transformá-lo em home, permaneci irredutível até o momento da compra do sofá. Na loja, junto com a cliente, segui argumentando que o sofá na maior dimensão possível era ali a melhor escolha justamente para deixar o antigo “quarto” com proporção de sala. 

4- Espaços engessados 

Neste apartamento com decoração clássica optamos por uma layout que mescla sofás de diferentes desenhos, poltronas, pufes e mesas de centro criando um layout menos rígido e simétrico

Perseguir a simetria a todo custo, na hora de pensar no layout e escolha dos móveis, é um dos grandes erros que costumo me deparar até mesmo em projetos de profissionais da área.  Não adianta o layout estar correto no papel com tudo perfeitamente distribuído ou centralizado e impecavelmente simétrico, se o resultado é engessado, frio e até mesmo desconfortável. Pensar em um layout mais humano, por exemplo, em uma sala, que valorize uma conversa, que promova a intimidade e que deixe as pessoas mais a vontade é hoje tão ou mais importante que a beleza da decoração. Ambientes perfeitos, mas que não funcionam no dia a dia, seja na hora de usar ou mesmo receber, é talvez um dos erros mais comuns que costumo me deparar na área. E às vezes, é até um desafio explicar para o cliente o porquê não rebatemos os móveis simplesmente ao redor de uma mesa de centro. Muitos que me procuram já chegam com uma ideia rígida e muitas vezes precisamos mostrar as sutilezas do espaço original, como posição das janelas, circulação e até mesmo pacientemente exemplificar o uso daquele ambiente para desconstruir a rigidez inicial; sugerindo assimetrias mais interessantes e disposição de móveis menos engessada. 

5- Comprar tudo em uma mesma loja 

No living convivem harmoniosamente poltrona antiga do século XIX, poltrona modernista de Oscar Niemeyer, sofá contemporâneo italiano e tapeçaria vintage na parede

É verdade que concentrar alguns fornecedores costuma além de ser mais prático, mais vantajoso do ponto de vista financeiro; já que orçamentos e vendas maiores costumam gerar maiores descontos. Mas em decoração é sempre um erro pensar apenas do ponto de vista racional e a beleza, muitas vezes, está no que é dissonante ou fora do conjunto. Portanto, fuja de conjuntos de sofás, conjunto de cadeiras e evite a todo custo comprar móveis de uma mesma coleção. Sim, eles podem combinar entre si, mas esse tipo de combinação é monótona e, antes de tudo, sem personalidade e criatividade. Se você não tem paciência para garimpar, tente ao menos examinar um orçamento e dele fechar apenas o que se apaixonou. Não costumamos montar várias casas na nossa vida e, portanto, aquilo que você não fechou agora certamente irá pular na sua frente em outra loja uma nova opção. Para quem realmente quer uma casa autêntica, vale a pena apostar no contraste de peças de diferentes contextos. Não importa se você não tem afinidade com antiquários ou feiras de antiguidade, ou tampouco tem o perfil de garimpar. Às vezes basta se informar e buscar o trabalho de novos designers ou mesmo produções quase que artesanais para ainda com peças novas conseguir colocar mais personalidade na decoração. Se ainda assim tudo estiver monótono ou se você não conseguiu nos móveis uma variedade interessante, aposte em objetos únicos e quadros que fujam do óbvio. Assim você estará decorando e não apenas mobiliando a sua casa.

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